Até já...

Cumprimento antecedente de um encontro futuro

29 maio 2006

Doninha

Acredito que a verdade reside muito mais vezes no silêncio do que nas palavras, por mais belas e justas que sejam, mesmo quando voam do coração dos poetas para o coração do papel e ficam ali a dormir, à espera que alguém as apanhe.
Sou quase sempre de poucas conversas sobre mim, prefiro falar do mundo com ironia do que dissertar sobre o que me forra a alma, porque quem me conhece consegue ler nela quase tudo o que precisa e, além disso, sem palavras nunca há equívocos.
Mas adoro escrever, especialmente sobre o que me deixa feliz ou triste. Gosto de praias de areia branca, gin’s tónicos ao cair da tarde, sumo de laranja de manhã, noites claras e manhãs preguiçosas, a tua pele encostada à minha, a respiração do teu corpo adormecido e o cheiro da tua pele quando te estendes ao meu lado.
Tenho, dizem, uma docilidade genética, quase inconsciente, que me corre no sangue e que tento esconder de mim própria. Às vezes consigo: sei disfarçar a dor, a tristeza, a solidão, a ausência, o medo e o desencanto e quando não consigo, vou-me embora e lambo as feridas em segredo até estar curada.
O amor ao silêncio vem-me da infância, quando brincava anos a fio com a Doninha, um dos seres mais notáveis e superiores que conheci. Era uma rafeira de olhar vivo, corria como uma gazela e brincava comigo como uma criança. Sabia sempre qual era o seu lugar e usava o seu charme canino para me conquistar com grande talento.
A Doninha era a minha cadela, uma boa companheira e fiel amiga - e nunca precisámos de conversar.
Às vezes, muito poucas, eu dizia-lhe duas ou três coisas que me preocupavam e ela respondia-me com um olhar ou um suspiro, e eu percebia o que me queria dizer: que o mundo pode ser um lugar difícil, mas, se formos bons, a vida traz-nos as pessoas certas que nos podem proteger e cuidar de nós. E que o importante é não complicar, ter tempo para descansar e brincar, seja qual for a nossa idade ou profissão.
A Doninha ensinou-me a amar o silêncio e a respeitar o silêncio dos outros. Mas também me ensinou a atacar de forma letal os meus inimigos, a ser grata a quem me quer bem e a lamber as feridas longe dos outros.
Morreu envenenada e deixou um vazio na minha vida. Nunca esquecemos aqueles que amamos, nunca deixamos de amar aqueles que nos amaram, nunca perdemos a sabedoria que nos legaram, nunca deixamos de ter saudades daqueles que mudaram a nossa vida.
A Doninha tinha razão, a vida nem sempre é fácil e o mundo pode ser um lugar vil e torpe onde há homens que têm prazer em mutilar outros e envenenar cães - mas se formos bons, a vida traz-nos as pessoas certas que nos podem proteger e cuidar de nós.

Perdoar

É ter a esperança de que o passado se despegue.

Pensamento do dia

Se todos evoluímos com o passar das relações, então, estamos também a melhorar pessoas para quem as encontre a seguir?

23 maio 2006

Bones - Pensamento do dia

Pensamento do dia

Um esqueleto não é um conjunto de osso ligados uns aos outros.
Um esqueleto é um osso, ligado a outro, ligado a outro.

E é isto que faz toda a diferença.

Eu Não Existo Sem Você

Eu Não Existo Sem Você
(Letra de Vinicius de Moraes e música de Tom Jobim)

Eu sei e você sabe
Já que a vida quis assim
Que nada nesse mundo
Levará
Você de mim

Eu sei e você sabe
A distância não existe
E todo grande amor
Só é bem grande
Se for triste

Por isso meu amor
Não tenha medo de sofrer
Pois todos os caminhos
Me encaminham
Pra você

Assim
Como o oceano
Só é belo com o luar
Assim como a canção
Só tem razão se se cantar
Assim como uma nuvem
Só acontece se chover
Assim como o poeta
Só é grande se sofrer
Assim,como viver
Sem ter amor
Não é viver
Não há você sem mim
E eu não existo
Sem você

05 maio 2006

Hum...

Os meus discos no chão
Os copos vazios
Vestí­gios da noite
As palavras perdidas
O calor e o frio

O meu corpo no chão
Um livro que eu li
O silencio e a pele
As palavras sentidas
Os vestí­gios de ti

E o mundo e a rua
Despidos no vento
À espera de sentir o mar
Numa vaga de espuma
Em sentidos guardados
No fundo do olhar

As revistas no chão
Os copos vazios
Vestígios do tempo
As palavras trocadas
O calor e o frio

Cada gesto que abraço
E um filme que eu vi
O que fica marcado
E já nunca se afasta
Os vestí­gios de ti

E o mundo e a rua
Despidos no vento
À espera de sentir o mar
Numa vaga de espuma
Em sentidos guardados
No fundo do olhar

Música e Letra: Mafalda Veiga